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Beatriz Meyer Capela, Tatuí, SP

17/12/2012

Beatriz Meyer Capela, Tatuí, SP

Beatriz Meyer Capela, Tatuí, SP

Plantas, cortes e fachadas, Fichas técnicas, Fornecedores

Vidro, madeira e pedra unidos em sutil composição

O pequeno templo é estruturado em oito pilares de madeira e tem cobertura com manta impermeabilizante apoiada sobre chapas de OSB (Oriented Strand Board). Os fechamentos são de vidro, com caixilhos também de madeira.

Assinada por Beatriz Meyer, a capela de aspecto simples e delicado é o terceiro trabalho da arquiteta neste sítio na região de Tatuí, SP - antes vieram a reforma da casa e a construção de um volume anexo para abrigar um escritório. Duas dessas obras lhe renderam láureas. Em 2005, a residência conquistou o primeiro lugar na premiação Planeta Casa; e a proposta da capela foi a terceira colocada na edição 2007 do Prêmio Jovens Arquitetos, promovido pelo IAB/SP (Instituto de Arquitetos do Brasil) . Em comum, as edificações apresentam estrutura de madeira certificada, proveniente de áreas de manejo sustentável, e buscam integração máxima com a paisagem.

Conectores metálicos ligam os pilares às vigas

A vista lateral evidencia a inclinação acentuada da cobertura

O ponto escolhido para a implantação da capela situa-se em uma área plana, entre duas linhas de grandes pinheiros, que configuram uma moldura verde e determinam a atmosfera de paz e imersão na natureza. Para tirar partido desse contexto, a arquiteta idealizou um conjunto de extrema simplicidade, composto apenas por estrutura e cobertura de madeira cumaru e fechamento em vidro.
A estrutura é composta por pilares suspensos, que não tocam o piso nem as vigas, parecendo flutuar no espaço. “Eles estão ligados por conectores metálicos”, esclarece a arquiteta. O posicionamento dos pilares, paralelos às linhas de pinheiros, demarca caminhos laterais que conduzem ao altar. “Eu havia voltado de uma viagem ao Egito e repeti no projeto essa característica dos templos antigos”, detalha Beatriz. Toda a estrutura é independente dos caixilhos e não interfere com os amplos panos de vidro, que chegam a ter 3,60 metros de altura na parte mais elevada. Fabricados com cedro, esses caixilhos são pivotantes e abrem-se para fora, liberando espaço para circulação e para que pessoas em pé possam acompanhar os ritos religiosos.

O mobiliário da capela também foi desenhado pela arquiteta

Grandes caixilhos pivotantes abrem-se para fora, a fim de aumentar a área de circulação interna

A cobertura também parece flutuar sobre o templo e é caracterizada por amplos beirais, com balanços que chegam a três metros. Ela é constituída por manta impermeabilizante bastante esbelta, apoiada sobre chapas de OSB e forro de madeira, que mimetiza as vigas menores. Nos beirais, as vigas afinam nas extremidades, reforçando a idéia da leveza estrutural para quem visualiza o templo pelo lado externo. Sua inclinação acentuada dá certa imponência à entrada da capela e vai transformando-a em um espaço mais intimista e aconchegante à medida que avança em direção ao altar.
Erguida com pedra ferrugem, a parede de fundo tem estrutura independente. Ela é marcada pela cruz de posicionamento assimétrico, vazada na pedra e com fechamento em vidro pelo lado externo. Exceto pelo ponto de luz sobre o altar, todos os demais foram instalados no piso, de modo a valorizar o ritmo dos pilares. Internamente, o piso emprega assoalho de demolição, contrastando com o tijolinho de junta seca usado no calçamento externo. Os móveis também foram desenhados por Beatriz e os bancos em palhinha, que oferecem 24 lugares, foram inspirados em sofás de antigas fazendas.

Pela própria natureza da obra, a construção foi dividida em etapas independentes ao longo de três meses. A primeira fase abrangeu fundações e contra piso, seguida pela execução da parede de pedra e pela montagem da estrutura, realizada em apenas dois dias. A seguir foram feitos o forro e a cobertura, e por fim veio a instalação dos caixilhos.


A capela está posicionada entre duas linhas de pinheiros

A capela está inserida na paisagem com graça e delicadeza

Fonte: Publicada originalmente em PROJETODESIGN Edição 333 Novembro de 2007

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